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 Lincoln Ristorante

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MensagemAssunto: Lincoln Ristorante   Lincoln Ristorante I_icon_minitimeSeg Jan 13, 2014 10:10 pm


Lincoln Ristorante


New York City
 

Localizado em um fabuloso prédio todo envidraçado, bem na praça do Lincoln Center, este restaurante italiano glamuroso é comandado por Jonathan Benno, ex-chef de cozinha no Per Se. A culinária dele é um refinamento da tradição com pompa de arrepiar. Muitas celebridades visitam o local, principalmente as que participam de produções de ópera, teatro ou balé nas proximidades. Na cobertura do restaurante há um parque oficial da cidade de Nova York, que você pode visitar para tomar um pouco de sol e ar fresco quando o tempo estiver bonito. Ao visitar o Lincoln Ristorante, peça um Tagliatelle com trufas negras de inverno. Seria um crime visitar um dos restaurantes mais divinos de NY e não solicitar esse prato.


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MensagemAssunto: Re: Lincoln Ristorante   Lincoln Ristorante I_icon_minitimeQui Jan 16, 2014 7:31 pm

Desaparatou em uma viela escondida que ficava aninhada à esquerda do belo local onde estava localizado o famoso restaurante. Como já passava do meio-dia, pensou em dispensar a refeição matinal e levou Ditte direto até ali, Nova Iorque, para comerem naquele local. Pôde perceber pelo tom de espanto que a menina exasperou que ela havia se impressionado com a desaparatação. Ditte surgiu firme em ambas as pernas e em nenhum momento vacilou, como geralmente acontecia com todos que desaparatavam pela primeira vez. Sua mente recuperava, mesmo que indiretamente, sua postura e altivez da respeitável bruxa que era.

Ofereceu seu braço para conduzir a dama naquelas ruas esplêndidas que levavam até o caminho do restaurante e pôde notar, ainda que a contragosto, uma leve hesitação na menina em deixá-lo conduzir.

- Apenas para conduzi-la por aqui, Ditte, minha querida. Penso que talvez você não saiba por onde quero levá-la e nem sobre a geografia de desta cidade. Ah, estamos em Nova Iorque.

Disse com um largo sorriso no rosto. Estava genuinamente feliz por poder, mesmo que indevidamente, esquecer-se dos seus problemas e afazeres como Ministro da Magia e simplesmente aproveitar um longo dia ao lado de quem tanto estimava.
Sutilmente, mesmo que a conduzindo, deixou que Ditte fosse à frente por recear esbarrar em algum trouxa. Esperava que tal gesto suspeito não despertasse a curiosidade da menina. Gabriel não podia vê-los por que estes não emanavam nenhum poder mágico; a feitiçaria que seu tio empregara em si o permitia visualizar somente o poder mágico. Mentalmente, contou “um, dois, três, quatro...” e sabia que haviam chegado no local. Desde que perdera a visão, cronometrar sua caminhada era um artifício muito comum e utilizado por Gabriel para se orientar.

- Chegamos e, pelo barulhinho que ouço vindo do seu estômago, acho que foi no momento certo. Também estou morrendo de fome!

Não possuíam reserva e o local estava lotado, mas imediatamente uma mesa no melhor setor do local lhes fora arranjada. Um capricho para o Ministro, certamente. Discretamente, indicou para que Ditte fosse na frente, em um gesto tanto cavalheiresco quanto auto protetor: assim, procurando tocá-la no caminho até lá e se esforçou para não esbarrar em nenhum cliente. Não apreciava lugares apinhados de trouxas. Gabriel já frequentara o local outras vezes e Vermont, o metri, o conhecia. Veio depressa até a mesa com um sorriso.

- Por favor, Vermont, meu querido: nos traga uma entrada frugal e duas taças de seu melhor Sauvignon Blanc, a senhorita que me acompanha aprecia bons vinhos. Quanto ao prato principal, dê sábias sugestões para minha companheira: ela escolherá o que iremos comer.
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MensagemAssunto: Re: Lincoln Ristorante   Lincoln Ristorante I_icon_minitimeQui Jan 23, 2014 9:51 pm



ㅤㅤ ㅤ Ditte Meinhartt se pôs de pé assim que os passos do homem anunciaram sua volta ao quarto. Os lindos olhos azuis da mulher brilharam em uma curiosidade excessiva quando olhou por cima do ombro antes de se virar para encará-lo. Gabriel Catena estava muito elegante, com trajes que inesperadamente combinavam com os dela; mas nem um pouco com o ambiente hospitalar em que se encontravam. Ela sorriu ao vê-lo estendendo a mão, mas foi pega de surpresa ao aparatarem.

ㅤㅤ ㅤ Os dedos da mulher seguraram os dele com força. Por um momento ela achou que estava sendo sugada por canudo escuro e sem ar. Não conseguia se mover, não conseguia sentir as pernas. Não demorou até que seus pés tocassem o chão da viela, bem ao lado do homem. O susto passou com alguns segundos. - Teria sido gentil me avisar que não usaríamos a porta! Havia um estranho tom de brincadeira na voz da mulher, enquanto ela estampava um sorriso encantador no lábios e, após ouvi-lo, entrelaçava o braço ao dele. - Surpreenda-me Gabriel! Assentia.

ㅤㅤ ㅤ Talvez não fosse de se esperar, mas Ditte Meinhartt se sentia confortável com toda aquela situação. Era como se inconscientemente sempre tivesse esperado por aquilo. Aliás, há de se considerar que nada daquilo era novidade. Aos poucos ela ia se lembrando de uma situação ou outra, nada traumático, mas preferia guardar aquilo para si. Olhou pelo canto dos olhos para o Ministro, enquanto saíam do beco e alcançavam uma rua movimentada e cheia de pessoas por toda a parte. Curiosa, ela deu um passo a frente e percebeu que ele lhe dava liberdade para ir um pouco à frente. - Uau! Exclamou infantilmente, segurando-lhe pela mão.

ㅤㅤ ㅤ Não estava acostumada com nada além de uma pequena vila. Aquela grande cidade era, de certo modo, tão grande novidade quanto saber que era uma bruxa. Ela assentiu, e o acompanhou até o restaurante, onde foram indicados a uma mesa excepcionalmente posicionada. Havia algo errado com ele, ela pôde notar que fazia um grande esforço enquanto caminhava entre os demais clientes, mas ela guardou aquela pergunta para mais tarde. Pôde observar, também, que a mesa em que estavam era um pouco mais afastada das demais, mas aquilo não a incomodou. Em silêncio, e com um grande sorriso nos lábios, esperou até que os homens terminassem.

ㅤㅤ ㅤ Estavam finalmente a sós. E ela não aguentava mais tantas perguntas em sua cabeça. - Como eu me tornei uma bruxa? A loira deixou escapar, sem poupar o volume da voz. Ninguém ouviu, e Vermont também não havia voltado. Sorte de principiante.



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MensagemAssunto: Re: Lincoln Ristorante   Lincoln Ristorante I_icon_minitimeQui Jan 23, 2014 10:21 pm


A simples leveza do ser, insustentável como um dilema vivido por muitas pessoas e não apreciado por tantas outras, essa leveza incólume e, infelizmente, rara, finalmente estava visível em cada palavra que ela dirigia ao ministro. Aquele momento de paz, sentados relaxadamente na mesinha do Lincoln, ficaria impresso na mente de Gabriel por muito e muito tempo. Sabia ele, com certo pesar, que momentos felizes seriam escassos em um futuro nem tão distante assim.

Tentava, cegamente, decifrar as reações de sua Rosa enquanto ela estava sentada na mesa. Sabia que Ditte observava avidamente o local porque podia senti-la movimentar sua cabeça, e também até mesmo a força de sua respiração estava acelerada. Comedido, Gabriel riu baixinho daquela situação toda. Iria aproveitar cada momento que fosse.

Sem demora, Vermont havia trazido o vinho que ele solicitara e alguns pãezinhos especiais como entrada. Duas taças foram servidas com esmero e cuidado e, propondo um brinde à vida, Gabriel bebericou seu conteúdo...

– “Como eu me tornei uma bruxa?”.

... Para quase cuspi-lo para frente. Não achou a pergunta indevida, muito pelo contrário: divertiu-se da situação. Seu lado professoral parecia aflorar. Tomou-a pela mão direita e a virou para cima. Com uma descrição nem tão discreta assim, tocou na palma da mão da com sua varinha. Quem no restaurante visse a cena, certamente não entenderia muita coisa; algum bruxo presente, no entanto, consideraria aquilo um disparate à toda comunidade bruxa mundial.

– Como posso te responder isso..? Bom, primeiro de tudo: não contamos para ninguém que somos o que somos. Encare este fato como um segredo compartilhado por milhões de pessoas. A sociedade em geral – e nesse momento fez um gesto indicando os outros clientes do Lincoln – sequer suspeita da existência de nós – sussurrou – os bruxos.

Sorrindo com carinho, prosseguiu:


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– Não se torna bruxo, Ditte: você nasce um. Nunca se soube ao certo o porquê dessa condição existir nos seres humanos, mas alguns de nós somos... Diferentes. Lembra-se dos seres mágicos que vimos no hospital? Você também pode encará-los como dotados de magia, por assim dizer. E todos eles fazem parte do nosso segredo.

– Você estudou magia comigo por muito tempo... Aliás, todos as crianças quando completam uma idade mínima para a iniciação mágica são selecionadas para uma escola específica. A que nós frequentávamos, no entanto, era diferente das demais: os alunos se matriculavam e passavam por testes, diferente de outros locais, que aceitam qualquer um.
– Suspirou e continuou. – Minha época mais feliz, certamente. Foi sempre uma das melhores alunas sempre das mais queridas pelos professores. Você possui muitos amigos, e sempre tive o prazer de ser um deles.

Disse aquilo com certo pesar e expirou lentamente o ar restante nos pulmões. Só então desfez o toque suave na mão da menina e guardou a varinha. Deixou um sorriso no rosto e manteve um olhar – que ao menos pensava que era o correto – que sugeriam que ele estava aberto para todas as perguntas que ela possuísse.
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MensagemAssunto: Re: Lincoln Ristorante   Lincoln Ristorante I_icon_minitimeSex Jan 24, 2014 7:41 am



ㅤㅤ ㅤ A mulher não estava muito interessada na taça de vinho à sua frente..

ㅤㅤ ㅤ Na verdade havia inclinado o seu corpo em direção ao homem, para mais próximo, e sentira ele lhe tocando a mão com a ponta da varinha. Ele falava com carinho, o exato cuidado que deveria usar com uma criança. Ao final de toda aquela explicação ela franziu o cenho e puxou a mão para longe do toque do homem. - Então pare com isso! Ela se assustou por um momento. Olhando em volta. Mas ninguém parecia realmente nota-los no restaurante.

ㅤㅤ ㅤ Ele recolheu a varinha e ficou encarando a mulher por um tempo. Ditte Meinhartt chegou a abrir e fechar a boca por várias vezes, antes de finalmente voltar a falar. - Aquele lugar onde estudamos.. onde é? Perguntou, mas antes que recebesse uma resposta, continuou. - E se tenho tantos amigos, porque nenhum deles me procurou quando eu sumi? Por quanto tempo, aliás, eu estou assim...?! Ela fez um gesto com o dedo, próximo à cabeça, querendo dizer que estava maluca. Um sorriso leve perpassou seus lábios, enquanto voltava a inclinar o corpo sobre a mesa para olhá-lo melhor.

ㅤㅤ ㅤ Alguma coisa estava errada. Ditte podia ver. Podia sentir. Seus olhos continuaram pregados no rosto do homem até que uma tosse próxima a fez se afastar da mesa e agarrar a taça de vinho outrora servida. Tomou um gole. E dois. E mais um. Até devolver a taça ao lugar que outrora ocupava. Algumas lembranças do castelo estavam nítidas em sua mente. Alguns rostos, alguns momentos. Esforçava-se em lembrar, mas parecia haver uma parede entre sua mente e a verdade.



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MensagemAssunto: Re: Lincoln Ristorante   Lincoln Ristorante I_icon_minitimeSex Jan 24, 2014 8:47 am

Gabriel virou sua cabeça para baixo e olhou desinteressado o copo de vinho. Tentaria manter a descrição daquela conversa ao máximo possível e pensou que encenar desinteresse aos outros clientes do Lincoln – que pelo tintilar da porta e o burburinho crescente das vozes, sabia ele que aumentavam – fosse fundamental para continuar aquele discurso.

– O nome do local que estudávamos é Instituto de Magia Durmstrang e ele fica próximo da Europa Central. É bastante frio e também sombrio. Veja bem: não era uma escola afamada pelo sucesso benevolente de seus formandos. Alguns alunos, e nos incluímos nesse grupo, não tomaram o caminho trevoso que a magia oferece – e que tão bem é lecionado em IMD. Apesar de ser um local em que deposito minhas melhores lembranças, não é, no geral, um local feliz.

Disse isso tudo com seus olhos leitosos e enfeitiçados para serem normais na direção de Ditte. Até seu tom de voz era comedido: falava baixinho, mas sabia que ela ouvia. O interesse dela também aumentava exponencialmente, e isso era bom: o assunto era delicado de ser tido assim, rodeado por trouxas, mas era importante para ela.

A velha sensação de culpa e vergonha havia retornado ao coração do ministro. “Ninguém me procurou [...]”, dizia ela. Era verdade e, por mais que houvesse mil desculpas para tal, nenhuma era sequer  próxima do justo. Sincero e com cuidado com as palavras, respondeu mirando seu rosto com uma expressão de tristeza e de dor.

– Acreditávamos, Ditte – e fez enfaticamente questão de incluir-se no monte – que você estava perdida para sempre... Sabe, há um registro mágico de cada bruxo que passa pelo que chamamos de Ministério da Magia. Resumidamente, essa instituição é o órgão regulador máximo do mundo bruxo, e cada país tem o seu. Isso não é divulgado, veja bem: quando alguém trabalha no ministério, por menor que seja o tempo, terá sua condição mágica monitorada. Saberemos quando faz uso de magia... E não possuíamos mais registro algum seu. Eu sei disso porque atualmente ocupo um alto cargo no Ministério que regula Durmstrang...

Não aguentou suportar o olhar por tempo demais e, com mais outra demonstração de emoção e fraqueza, abaixou a cabeça. Estava desarmado, de um modo muito além da magia.

– Acreditávamos ter perdido você para sempre. Pensávamos que estivesse morta. Ninguém, em lugar nenhum, sequer avistou você. E eu a procurei. Exaustivamente, sempre a procurei... Por quase 20 anos. – Um tom mais sério e pesado dominava o semblante do ministro neste momento. Cada palavra dita por ele carregava uma emoção que por quase 20 anos sentiu em cada busca que fez, em cada olhadela que dava nos registro da bruxa, em cada pessoa que indagou tê-la visto... – Sempre em vão, até que você veio a mim... E, de certo modo, eu pude sorrir novamente.

Cada palavra tinha um peso e ocultava uma razão. Não era um jogo de gato e rato. Gabriel simplesmente não suportava a realidade dos fatos que cercaram o sumiço de Ditte. Era demais para ele. Pagara o preço... Ainda que, sempre pensou, nunca tinha sido o bastante.
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MensagemAssunto: Re: Lincoln Ristorante   Lincoln Ristorante I_icon_minitimeSex Fev 07, 2014 4:04 pm



ㅤㅤ ㅤ A história contada era uma grande novidade. A sobrancelha da loira se arqueava à medida que ele falava, o interesse crescente no que estava escondido em seus vários anos de vida como bruxa.

ㅤㅤ ㅤ À medida que ele avançava, uma ruga de contrariedade surgia em sua testa. Como era possível que Ditte Meinhartt frequentasse um lugar como aquele? Parecia macabro, e não era exatamente o seu estilo. Mordendo o lábio inferior para evitar contestar antes de saber mais sobre o assunto, esperou.
ㅤㅤ ㅤAgora tinha certeza de que tinha feito uma boa escolha ao se manter em silêncio. As palavras do Ministro da Magia a arrebataram como a um tapa. Seu corpo foi de encontro ao encosto da cadeira, enquanto seus dedos seguravam a taça de vinho e, com apenas um gole, ela esvaziava todo o líquido que continha. Morta. Ela tinha sido dada como morta.. e ninguém sequer havia procurado por seu corpo. Seu rosto foi marcado por um olhar de descrença, enquanto seus olhos azuis miravam o couro cabeludo do homem. Ele encarava as próprias mãos, parecia esconder mais do que queria contar. - Conte o resto da história, Gabriel! O que você está me escondendo? Ela sabia. Sabia que todo aquele tempo várias coisas estavam sendo ocultadas.
ㅤㅤ ㅤ Recompondo-se da incredulidade de ter simplesmente sido deixada de lado por um mero registro de uso de magia, a mulher prendeu os cabelos em um coque feito com os próprios fios e apoiou novamente os cotovelos sobre o tampo da mesa. Deixou-se soltar um suspiro, enquanto cruzava os dedos e apoiava o queixo sobre a teia formada. Os olhos azuis estavam apertados em fendas atentas, enquanto flashes de memórias indefinidas ocupavam sua mente.  



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MensagemAssunto: Re: Lincoln Ristorante   Lincoln Ristorante I_icon_minitimeSab Fev 08, 2014 7:38 am

Mantendo nada além da postura e ainda com a cabeça baixa, as poucas palavras que Ditte pronunciou trouxeram uma torrente de culpa e recordações infelizes. Muito infelizes. O maior monstro de seu passado estava ali, entre os dois, e o queria pegar. E Gabriel estava sendo uma presa fácil, aceitando a proximidade com que a conversa beirava do fato derradeiro. Sentia uma enorme pressão nos olhos – o que não era raro; fruto da cegueira que seu tio o causou – e, instintivamente, apoiou também seus cotovelos no tampo da mesa e massageou seus olhos.

Desde que ficara cego, todas as suas lembranças haviam ficado mais nítidas. Para ele, isso era tanto quanto uma maldição quanto uma benção. Podia lembrar-se de cada momento feliz que viveu com bastante clareza, mas os tristes também eram mais fortes e mais vívidos. E este que o assombrava e tanto lhe fazia mal era o que mais doía. “Essa minha fraqueza não tem lugar nessa mesa, preciso me recompor. Imediatamente.” Com este pensamento, respirou profunda e lentamente e com olhos sérios e firmes, olhou para onde seria o rosto da menina.

– Você está certa e errada em suas palavras. Há, de fato, mais da história a ser contada, mas não escondo de você. Há um motivo para eu não ter contado tudo... Ainda. Vou te pedir um favor, simplesmente aproveite o dia de hoje.



Lincoln Ristorante Clive%20Owen



Gabriel pontuou com um súbito e honesto sorriso no rosto. Em toda a conversa – e também em tudo que correu na vida com ela – seu tom havia sido calmo e tranquilizador, e agora não era diferente. Foi neste momento que Vermont, no alto de seus muitos anos de experiência, surgiu como se vindo do nada e, com gentileza e falando para somente os dois, encheu ambas as taças. Baixinho, disse: “Sabe, minha bela senhorita, se você continuar bebericando deste modo, não vai aproveitar tanto a bela refeição que está sendo preparada.” Vermont não havia sido nem descortês e nem indelicado. Sabia pontuar um detalhe e, com o que dissera, quis dizer que temia por Ditte estar bebendo demais. Não era costume do restaurante em interromper conversas particulares, era de Vermont, que desde a chegada havia notado o estranho casal. Notou, também, que a pequena mulher aparentava estar preocupada e que Gabriel podia ser o motivo dessas preocupações. Manteve-se alerta, apenas por cuidado.

– Tire suas preocupações da cabeça. Você não vai perceber como – e neste momento indicou singelamente para sua varinha, um gesto comedido de que magia estará contida –, mas amanhã acordará podendo...

Fez uma pausa, uma grande pausa, e nesse exato momento seu coração apertou. Apesar do olhar sério, disse tudo aquilo com real gentileza. O que seria dele próprio na manhã seguinte, não sabia. Temia, era verdade, mas seria a consequência verdadeira de seu ato orquestrado que, mais de 20 anos depois, estaria chegando.

– ... podendo julgar. Você não é e nem nunca foi louca, Ditte. Ceda-se um pensamento, mas não o deixe consumi-la: acha que desapareceu por conta própria ou algo aconteceu que propiciou este sumiço?

A conversa estava tomando um rumo sério demais e, pensou Gabriel, que era o bom momento para fazer algo com Ditte que costumava fazer escondido sempre. Com um sorriso travesso no rosto, aproximou seu rosto do dela e dizia entredentes algo indecifrável. Queria que a menina aproximasse o rosto, coisa que inconscientemente ela fez. Quando estava perto o bastante, roubou-lhe um beijo rápido e, rindo divertido e quebrando a tensão, voltou a sua postura.

– Sabe de uma coisa? Tem coisas que nunca mudam. Isso, por exemplo, nunca mudou. Você sempre caiu nas minhas pegadinhas. Acho que já enchi um cofre com todos os beijos que roubei de você. Hahahaha!

Era uma conversa séria? Era. Mas não havia real motivo para o momento ser sério. Era um momento descontraído com uma conversa séria que, se levado da maneira correta, teria tudo para continuar assim. Talvez magicamente e novamente aparentando surgir do nada, um sorridente Vermont estava servindo a entrada da refeição. Ele devia ser bruxo mesmo, não era possível alguém ter um timing tão perfeito.
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MensagemAssunto: Re: Lincoln Ristorante   Lincoln Ristorante I_icon_minitimeSab Fev 15, 2014 7:58 am



ㅤㅤ ㅤNas últimas horas várias revelações haviam sido feitas. Ditte Meinhartt parecia ter a mente cada vez mais clara, mais interessada, e ativa. Seus pequenos olhos azuis estavam focados no rosto do homem, que ora olhava para baixo (sinal de culpa), ora a encarava como se estivesse completamente seguro daquilo que estava falando.

ㅤㅤ ㅤ A mulher passou o dedo fino pelo corpo da taça de vinho, enquanto pensava sobre o pedido do outro para que aproveitasse o dia. Talvez ele não entendesse, mas há muito tempo ela não se sentia tão excitada e interessada em algum assunto. Tão disposta a revelar os segredos e descobrir mais sobre o seu passado. Ela soltou um riso incrédulo, confirmando suas palavras com um movimento rápido e afirmativo de cabeça.  

ㅤㅤ ㅤFoi quando pensava em responder as palavras do Ministro da Magia que Vermont os interrompeu. Serviu-os, e pontuou sobre o excesso de bebida que a loira ingeria. Uma ruga de insatisfação surgiu na testa da mulher, sobre a sobrancelha direita, enquanto ela recostava à cadeira. Ele não a conhecia para pressupor que estava indo rápido demais. A verdade é que Ditte Meinhartt se tornara uma humana normal, com vícios normais, e uma vida solitária. Isso implicava em longas noites em pubs locais, bebendo coisas muito mais fortes que vinho, e que não faziam mais qualquer efeito em seu organismo. - Não se preocupe! Ela disse com um sorriso calmo e elegante, cruzando as mãos sobre o colo enquanto esperava que ele partisse. Não dizia apenas sobre o comentário do homem, mas também sobre a atenção demasiada que despendia sobre o casal.
ㅤㅤ ㅤO homem havia partido, e Gabriel continuou, como se nunca tivessem sido interrompidos. Ela o ouviu, voltando a reclinar o corpo sobre a mesa para ouvi-lo melhor. Ele estava certo. Alguma coisa havia acontecido para que se esquecesse de tudo que havia passado. Mas o quê? Agora sim ela ficaria obcecada em recobrar as memórias, uma curiosidade incessante crescia dentro de si. A sensação de estar mergulhada em um liquido denso a possuiu. Não escutava ruídos das pessoas em volta, nem sequer o que ele dizia.  

ㅤㅤ ㅤApertou os olhos e se aproximou ainda mais. Seu rosto estava quente, sua memória se esforçando para se libertar. Ela queria.. ela precisava saber o que havia acontecido.. Ditte Meinhartt estava completamente absorta em seus pensamentos, mas aquilo se perdeu assim que os lábios do homem tocaram os seus e ele começou a rir. O semblante da loira não mudou, ela o encarou.. séria, quase sem acreditar que ele tinha feito aquilo. Ia repreendê-lo, mas Vermont apareceu e começou a servir a entrada, que sequer haviam pedido. Um sorriso relaxado, então, percorreu os lábios da loira que voltou a se posicionar na cadeira. Tudo bem, que deixassem os assuntos sérios de lado. Teria muito tempo para tentar se lembrar.. mais tarde!


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