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 Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.

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MensagemAssunto: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeSab Set 07, 2013 10:34 am

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Gabriel Catena
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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeQua Out 23, 2013 7:03 pm

Gabriel, ainda seminu, desapartou com Ditte na entrada do St. Mungus. Até pelo horário avançado, encontrou na entrada apenas alguns medibruxos plantonistas. Percebeu a expressão confusa deles ao presenciar a chegada do Ministro da Magia, este trajando somente suas calças, e carregando uma mulher desacordada em seus braços. Com um olhar severo, fez-se ouvir e ser entendido com uma frase pequena.

– Eu não estou aqui. – Disse para os presentes.

Com Ditte nos braços, disparou para o quarto andar, onde sabia que encontraria instalações apropriadas para o tratamento, ou até mesmo o repouso, dela. Ainda não era hora de levá-la até sua residência, mas pretendia fazer isso em breve.

[...] Chegando ao quarto andar, encontrou o andar com poucos pacientes. Alguns medibruxos transitavam de lá para cá, mas provavelmente o alerta feito na recepção havia chegado aos ouvidos destes do quarto andar, visto que sequer a presença do ministro eles pareciam notar. Sem perder tempo procurando um quarto livre, caminhou diretamente ao local destinado para ele mesmo. Sabia que ali não seria importunado, caso este não quisesse, nem pela alta direção do Mungus.

[...] No quarto, pôde reparar, também, que este parecia estar equipado à sua espera. “ O que uma simples frase dita por alguém importante não faz...”, deixou-se admirar. Colocou o corpo fraco de Ditte deitado sob o espaçoso e confortável leito. A menina tremia, suava e tinha febre. Ela murmurava coisas que ele não fazia o menor esforço para entender. Reconheceu o dialeto alemão, no entanto. “ Então, aparentemente ela foi para Alemanha...”.

Não aguentando mais presenciar aquela tortura que a menina parecia estar passando, Gabriel dirigiu-se até o local onde sabia estar localizada a prateleira de preparados e apanhou um dos fracos que conhecia, pelo cheiro, ser  uma poção para um sono sem sonhos. Com cuidado, apanhu o frasco.

Ditte jazia deitada irrequieta. O ministro suspeitou que estava delirava em sua prisão mental. Com a varinha em mãos, impediu os movimentos dela, a fim de assegurar-se que esta beberia o conteúdo da poção. Com muito cuidado, deixou o líquido arroxeado escorrer para dentro da boca da menina e percebeu, de bom grado, que esta parecia estar cedendo aos efeitos da poção.

Não deixaria Ditte sozinha nem por um instante sequer. Quando ela acordasse, estaria ali, presente, junto. Feliz, notou que o local possuía um espaço para o asseio e também para descanso. Ficaria ao lado dela o tempo que fosse necessário.
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Ditte Meinhartt
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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeQua Out 23, 2013 7:19 pm



ㅤㅤ ㅤ Sem que tivesse escolha a mulher foi carregada dos jardins de Durmstrang até o hospital. Não percebeu nada que acontecia ao seu redor, delirava e remexia, inconscientemente. Seu corpo somente se aquietou quando dopada pela poção que o Ministro da Magia despejara em sua boca, e somente horas depois acordaria.

(...) passaram-se 14 horas.

ㅤㅤ ㅤOs grandes orbes azuis se moveram, ocultos pelas pálpebras pesadas pelo cansaço. Tivera um sonho estranho, mas o conforto dos lençóis a traziam a memória sua pequena casa no vilarejo. Um gemido. Um muxoxo. Sentia dor por todo o corpo, certamente tinha dormido demais.

ㅤㅤ ㅤVirou-se na cama, ajeitando o travesseiro sob a cabeça, ainda sem abrir os olhos. Talvez fosse melhor dormir mais um pouco. Aquele sonho havia sido tão estranhamente real que seu corpo não respondia muito bem às suas vontades.

ㅤㅤ ㅤAcidentalmente piscou, tendo a visão embaçada pela luz bruxuleante do quarto. Piscou outra e mais uma vez. Até sentir o coração disparar com a visão que tivera. - Ah! Exclamou. Sentando-se de imediato na cama. Outra avalanche de memórias inundou sua mente, todas com o rosto de Gabriel Catena.

ㅤㅤ ㅤPor um momento ela pareceu que ia surtar novamente, mas logo sua feição relaxou e seu corpo tombou novamente contra a cama, a cabeça recostada no travesseiro. - Preciso de ajuda, Biel! Clamou. Fechando os olhos com um suspiro cansado.

ㅤㅤ ㅤSua mente oscilava. Sua personalidade se alterava entre um segundo e outro. Ora sabia o que estava acontecendo, ora entrava em desespero por não saber onde estava.



D. Meinhartt

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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeQua Out 23, 2013 9:18 pm

Gabriel passou as primeiras duas horas do longo repouso da menina observando-a sem sequer mover um músculo. Temia que ela tivesse alguma reação. A respiração calma e ritmada da menina entorpecia a mente do ministro e tirava-lhe todo o cansaço. Ditte estava repousando coberta, pois Gabriel cuidara para que isto fosse feito. Não admitiu a entrada de nenhum medibruxo no local. Estavam sozinhos ali.

Após ter a certeza de que Ditte estaria em segurança, Gabriel asseou-se e, também com Accio , colocou vestes novas e limpas. Arrumado e novamente vestido, sentou-se na poltrona que estava localizada num canto e ficou observando a menina, perdido em pensamentos.

Que dia mais cheio... Há menos de 24 horas eu estava com Deko ‘resgatando’ Savage de sua prisão e, agora, estou aqui... Com ela... Massageou as têmporas. Sentia sua cabeça doer. Estava há mais de 40 horas sem dormir, e o tempo ativo estava começando a cobrar seu preço. Mas não agora. Ficaria de sentinela o tempo que fosse necessário.

Levantou-se, esticando os músculos e caminhou até o leito. Ditte continuava dormindo como se nada estivesse acontecendo. “ Este é um momento tão bom como qualquer outro... E visto que ela repousa em tanta paz, creio ser a hora adequada.” Discretamente, Gabriel apanhou sua varinha, apontou para o centro da testa da menina. Com os olhos fechados, fez o movimento circular seguido de uma estocada que parou a centímetros da testa de Ditte. Concentradíssimo estabeleceu a conexão mental adquirida após anos de prática. Aquela, tão forte, que alguns chamavam de Onisciência.

Legillimens”...

Em magia, no que há conhecimento, a mente não pode ser lida como um livro. A de Ditte, no entanto,  - para descrever de um modo  coeso - parecia uma colcha de retalhos. As lembranças de sua vida bruxa estavam praticamente suprimidas. Algum trauma profundo, pelo que imaginou o ministro, havia acontecido com ela que a fez suprimir o que havia acontecido. Havia, também, uma grande parte em que ele não teria acesso sem a permissão da menina.
[...] Gabriel  já estava há horas com a conexão mental estabelecida, mas ainda assim não conseguiu encontrar  a causa de tamanha mudança de personalidade. A parte ruim, maculada, não era difícil de ser encontrada. Havia perdido muito tempo com as lembranças ruins, percebeu. Franzindo a testa, o ministro procurou na cabeça da menina o que de mais feliz ela lembrava-se enquanto bruxa.

Tomou um susto. A conexão havia sido rompida. Encontrou, na mente da menina, uma lembrança que havia sido, até pouco tempo atrás, seu motivo de maior felicidade: o primeiro beijo que ele havia dado nela.

Exasperado, caiu sentado na poltrona. Havia recuado até ela sem perceber. “ Então, em meio a frangalhos, ela me procurou... Será que também sempre importou?”

[...] Perdeu a conta das horas. Ficou sentado durante todo esse tempo, apenas meditando, deixando sua audição dar a nota da situação de Ditte. Percebeu, no entanto, que a menina parecia despertar. Viu Ditte sentar-se abruptamente na cama para tão somente tombar, pedindo por sua ajuda. O mais rápido que pôde, ajoelhou-se ao lado da cama, tomou novamente a mão da menina e, com um aperto repleto da segurança de quem ama, disse, baixinho.

- Você sabe que pode contar comigo. Mesmo sem saber exatamente o motivo, você me procurou. Eis que estou aqui. Vê? Seguro sua mão. Sinta este toque, Ditte. Sinta. Não esqueça dele. Agarre-se a ele sempre que você se perder, pois eu não deixarei o seu lado. Estou aqui, minha menina. Estou do seu lado.
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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeSab Nov 02, 2013 2:45 pm



ㅤㅤ ㅤ Ela não gostaria de saber que sua mente estava sendo revistada. Aliás, quem gostaria? Gabriel Catena se aproveitara de seu momento desacordada para revirar sua mente, quão invasivo.. Enquanto isso, em um sono sem sonhos, Ditte parecia não se importar.

ㅤㅤ ㅤ Quando a pele fria do Ministro da Magia tocou a pele de sua mão ela sorriu, apertando de volta os dedos do homem, gastando a pouca energia que sentia em seu corpo. As palavras do homem a fizeram novamente sorrir, mas um sorriso que logo se perdeu com um suspiro cansado e um desvirar de olhos para o teto. Ela não sabia o que estava acontecendo. Não sabia direito onde estava, que ano era, o que andara fazendo. Seu corpo estava cansado, sua mente era um grande vazio.  

ㅤㅤ ㅤ Com outro suspiro cansado a mulher olhou para ele. Concordando. Sabia que ele estava ali, mas quem era ele? Ditte já não mais conhecia o homem à sua frente. Na verdade, não conhecia sequer o seu passado ou a sua própria vida.

ㅤㅤ ㅤ Pensar sobre isso fez com que novamente uma dor alucinante rompesse sua mente e sua sanidade. Tossiu, e puxou o braço com força, soltando-se do aperto de mãos. - Onde estou? A loira perguntou, tentando manter a calma.

ㅤㅤ ㅤ Há muito não se sentia tão exausta. Era como se tivesse corrido por todo o dia, por toda a noite, e apenas agora tivesse tido tempo para se deitar em sua cama. O toque a pouco perdido a despertou receio, e ela empurrou o corpo contra o outro lado da cama, afastando-se daquele homem desconhecido. O que ele queria com ela?


D. Meinhartt

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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeSex Dez 13, 2013 10:19 am

As intensidades dos acontecimentos recentes haviam deixado a mente do ministro um tanto quanto relapsa. Esquecera-se de suas obrigações como ministro da magia. Sua incursão à prisão de Savage não era tão sigilosa assim: deixara o chefe dos aurores avisado. Confiava na capacidade mágica do bruxo para, além de guardar segredo do feito, assessorar futuramente o auror Deko nos planos que tinha para o bruxo senil; pretendia torna-lo um aliado, obviamente. Gabriel não concordava com aquela prisão – além de desumana, pensava ser um completo desperdício manter um ser com tamanho potencial preso daquela forma.

Parado imóvel na janela observando o horizonte escuro enquanto a sua pequena Ditte ainda dormia, Gabriel estendeu sua varinha e conjurou um patrono. O diminuto urso que irrompeu noite adentro carregava uma mensagem. Não sabia exatamente a localização de Henry, mas devido à conexão que os bruxos tinham pelas medalhas ministeriais que carregavam, sabia que o pequeno urso encontraria seu destino.

“O monstro insólito em forma de bruxo foi capturado. Ele estava ferido, mas agora está seguro. Está recebendo os devidos tratamentos. Acredito que o mundo não corra mais risco de explodir. A ‘arma’, como você gosta de chamá-lo, não oferece mais riscos.”

Em seguida, tocando a medalha, fez em sua mesa um memorando detalhado da situação atual. A pasta ultrassecreta de “Savage”, posta sobre sua mesa, receberia dados complementares com as novas informações obtidas na incursão recente – e uma cópia contendo alguns detalhes surgiria na mesa do chefe dos aurores.

Novamente, pôs-se a pensar. Sabia da situação do auror Deko e também que havia mais do que abusado da paciência do mesmo. Entendia que Deko carecia de mais informações a respeito de tudo que ocorrera, e a pasta ultrassecreta em sua mesa continha todas elas. Outro urso, outro patrono, outra mensagem.

“Deko, saiba que sou imensamente grato por tudo que fez hoje. Contudo, peço-lhe mais uma coisa: vá até o ministério e, sem dar explicações para nenhum dos funcionários, adentre meu gabinete. A medalha que você levas consigo da livre acesso a todos os departamentos e salas do ministério. Dentro do gabinete, apanhe o documento posto sobre a mesa e leia-o. É a pasta contendo tudo que o Senhor Daguerreo descobriu sobre Savage, desde sua árvore genealógica até a cor de seu cabelo. Tudo que precisará saber estará aí.”

Suspirou. Deveria estar aliviado... Mas por que não se sentia assim? Um incômodo peso nos ombros – talvez sentimento de culpa – o perturbava. “Foi um longo dia...”, conjecturou. No entanto, deixou-se admirar que nem o fato de ter desfeito poderosíssimos feitiços e libertado – na esperança de “catequizar” – uma das maiores ameaças que o mundo bruxo já viu conseguiam tirar de sua mente que o que de mais importante existia para si jazia em repouso no leito bem ali atrás.

Deixando as obrigações de lado, virou-se e pôs-se a admirar cegamente a pessoa que estava deitada no leito e dormia tão profundamente. Ela parecia em paz, mas uma paz perturbada. Não pôde deixar de sentir remorso; era o culpado daquilo tudo: da desgraça que acometia Ditte, de todos os problemas que ela havia passado e de tudo de ruim que havia acontecido com ela nos últimos tempos. Agora que sabia ser o causador de tamanho estrago, sentia enorme vergonha de si mesmo. Como podia fazer tão mal a quem tanto amava?

Amava? Enrubesceu quase que imediatamente. Ficou espantado como a certeza daquilo que sempre sentiu vinha tão fácil em sua mente. Na sua juventude, tomava todas as providências possíveis para que aquele sentimento jamais transparecesse. Acreditava ter tido sucesso. Deveria ser uma cena ridícula: o ministro da magia vermelho como um pimentão. Ah, o amor!

Percebeu que a pequena acordou e, após lhe dizer algumas palavras tocando-lhe às mãos, fora afastado “bruscamente” de perto dela com aqueles braços frágeis. Deu dois passos para trás, apanhou uma poltrona e, tentando manter a compostura, conversou com a recém-desperta.

- Você sabe quem eu sou, mas sua mente não consegue lembrar. Pertenço a um passado que você não se recorda mais, um passado que você procurou esquecer. Você me procurou e eu vim. Não vou te abandonar, estou aqui para ajudar você no que for preciso, Ditte Meinhartt.

Levantou-se e foi caminhando para o pé da cama. Tentava manter contato de todas as maneiras possíveis com a menina, e precisava da confiança dela; mesmo que tênue.

- Mesmo que sua mente não consiga e também não queira lembrar-se de mim, olhe para essas mãos e saberá que elas jamais lhe farão mal.
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Ditte Meinhartt
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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeDom Dez 22, 2013 11:50 am



ㅤㅤ ㅤTalvez aquele homem parado ali não tinha a sensibilidade de perceber que a mulher estava completamente alheia a quem ele era, e o que estava fazendo ali. Queria uma confiança que não tinha de onde sair. Pelo menos se naquele momento ela fosse aquela pequena menina que outrora havia estudado na escola ao lado dele..

ㅤㅤ ㅤDitte Meinhartt ficou olhando para as mãos do homem por longos minutos. Sua cabeça doía de um jeito inexplicavelmente forte, uma sensação que antes não havia experimentado. Os orbes azuis estavam fixos nos dedos longos do outro, enquanto, ainda desconfiada, pensava quais eram suas opções.  

ㅤㅤ ㅤAparentemente a pequena mulher cedeu ao cansaço, porque o corpo, outrora rijo, amoleceu de encontro ao travesseiro, acomodado com cuidado. - Você vai me explicar onde eu estou? A voz era doce e decidida, de alguém que espera explicações.

ㅤㅤ ㅤCom o tempo todo aquele alvoroço do primeiro momento passou e ela fechou os olhos. Mesmo confusa, e com memórias distorcidas e cheias de lacunas, a mulher começou a ouvir novamente a razão. Ela não saberia explicar o que estava sentindo, mas a sensação era de que alguma coisa crescia dentro dela, uma vontade insana de.. de..

ㅤㅤ ㅤ- Qual o seu nome? Ela finalmente abriu os olhos, aquele brilho meigo faiscando em direção ao homem. Ele era incrivelmente bonito, embora tivesse um aspecto misterioso. Sua pele queimou quando ele retornou o olhar, e ela desviou o rosto para a porta. Há algum tempo Ditte Meinhartt não ficava a sós com um homem, ainda mais em uma situação tão constrangedora. Pigarreou, e após uma pequena mordida no canto do lábio, cedeu à curiosidade.  - Eu bati a cabeça. Não é? Não consigo me lembrar como cheguei aqui.

ㅤㅤ ㅤTalvez fosse melhor que o Ministro da Magia agisse rápido para tentar buscar mais lembranças de Ditte Meinhartt dentro daquela mente distorcida. Agora, a pequena mulher lutava contra aquela força, e tentava minimizar a vontade de se lembrar do que havia acontecido.


D. Meinhartt

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Gabriel Catena
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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeQui Dez 26, 2013 5:07 pm

Observar as ações da menina só faziam aumentar a certeza em Gabriel que ele precisava mais agir do que falar. Sabia que ela estava instável. Esteve eu sua mente e sabia o que ela precisava, mas receava em como chegar até lá. Não queria apelar para magia, mas seria necessário... Irremediavelmente necessário.

Mas não ainda. Havia tempo, pensava ele, para mais uma cartada. Mas será que conseguiria?

Teria que remendar algumas coisas e expor alguns fatos. Talvez, desde o principio. Faria daquilo uma aula e, aos poucos, faria a menina entender o que não entendia. A trataria como uma trouxa. Amada, é verdade, mas uma trouxa.

- Você está em um hospital. Bastante seguro e com todos os cuidados que você merece receber, mesmo não sabendo disso.

Disse enquanto virava de costas para ela. Sobre uma das mesas metálicas onde depositavam-se os medicamentos estava uma bacia com água. De costas e n-vbl, transformou o conteúdo daquela água com um toque de sua varinha. Satisfez-se do trabalho e, aparentando calma e tentando fixar seus olhos na menina, levou a mesa até próximo dela.

- O mundo onde nós vivemos é dividido em dois. Nele, existem os humanos e os bruxos. Você é uma bruxa, Ditte, mas esqueceu disto. Na verdade, é uma das mais espertas bruxas que tive o prazer de conhecer.

Sentou-se opostamente a cabeceira da cama, próximo aos pés da menina, tocando-os carinhosamente. O toque de Gabriel era delicado e seguro. Estava imensamente feliz por ter recuperado alguém tão especial para si, mas temia perdê-la... Temia perdê-la para ela mesma.

- Nós sempre fomos... Bons amigos. Mas você não lembra... Deve ter batido a cabeça, talvez.

Desviou os olhos com rubor na face e sorriu envergonhado. Um metro e meio de tamanho e talvez uns trinta em todos os outros aspectos: talvez fosse este o poder maior de Ditte Meinhartt sobre o Ministro.

- Os bruxos como você e eu fazemos encantamentos e feitiços utilizando as varinhas. Veja, esta é a minha. - Mostrou para Ditte sua varinha (OFF: vish! hahahahaha! RAWR!) - A sua, que era pequena como você, não sei onde está. Mas pode facilmente ser obtida novamente.

Aproximou-se levando consigo a bacia com água.

- Isso, Ditte, é magia.

Fechou seus olhos falsos e, com um toque preciso, retirou de sua mente as mais bonitas lembranças que possuía dela. Seus tempos de escola, os ciúmes, seus cadernos com o nome dela escrito, tudo estava ali. Ao invés de somente depositar na penseira improvisda que criara, Gabriel, após deixar os pensamentos na superfície da água, tocou nela com sua varinha e, sibilando baixinho um feitiço, fez com que as lembranças saíssem da água e flutuassem, como um filme, por todo o quarto.

Era o primeiro passo do que pretendia fazer com a menina: fazê-la acreditar que ela mesma era real.
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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeDom Jan 12, 2014 8:04 am



ㅤㅤ ㅤJá haviam se passado horas e horas desde que aqueles dois estavam presos ali, naquela incansável luta. Ela tentava fugir da verdade, ao mesmo tempo em que se interessava cada vez mais pelo que se passava e por aquele homem à sua frente.


ㅤㅤ ㅤAgora que havia parado para escutá-lo, conseguia perceber que seu tom de voz era completamente agradável, e seus movimentos sutis, como se não quisesse assustá-la. A mente quebrada em pedaços desconexos começava a querer ganhar forma, e as dores se tornavam cada vez mais frequentes. A consciência de Ditte Meinhartt não estava mais forçando a se manifestar, e cada vez mais estável estava aquela mulher desconhecida que o observava. Ele se virou de costas, e quando voltou a ela trazia para perto uma mesa com uma bacia de água apoiada. Água?  


ㅤㅤ ㅤO Ministro começou a explicar, e a expressão de incredulidade no rosto da loira poderia ser facilmente percebido. Havia uma ruga de descrença na testa da loira, enquanto um sorriso debochado surgia no canto de seus lábios. Ele só poderia estar brincando, certo?! Era o pensamento que passeava entre as rachaduras de sua mente, enquanto nem meia palavra de aceitação ao que aquilo significava saiu de seus lábios.


ㅤㅤ ㅤO toque em seu pé fez com que quisesse puxar a perna para longe dele, levantar-se e sair correndo o mais rápido que pudesse. Entretanto, sentia-se incapaz de mover qualquer músculo. O queixo caído, fazendo-a parecer tola, enquanto ele continuava. - Eu não bati a cabeça! Disse com firmeza, mesmo sabendo que havia algum sentido naquilo. Afinal, não se lembrava de quase nada sobre sua vida antes de amanhecer ao lado daquela senhora.


ㅤㅤ ㅤEla piscou os olhos, encarando-o. Intuição, ou não, mas ela sabia que ele estava escondendo alguma coisa. Alguma coisa muito maior do que aquilo que ele queria demonstrar com aquele sorriso de canto e bochechas avermelhadas. Ditte Meinhartt recolheu os braços e cruzou-os à frente do peito, atenta ao que ele dizia sobre varinhas ou coisa assim. - Ok, isso é uma pegadinha! Concluiu olhando para os lados em busca de confirmação. Não havia ninguém, e aquilo era preocupante.  


ㅤㅤ ㅤSua desconfiança morreu assim que viu os fios prateados caírem sobre o líquido transparente e ganharem forma. Por um momento ela se inclinou, com o objetivo de ver melhor o que estava acontecendo. No minuto seguinte, após um toque daquele pedaço de madeira sobre a bacia, as imagens inundaram o quarto.


ㅤㅤ ㅤA priori a sua vontade era de vomitar. A náusea lhe subiu como se acabasse de ganhar um soco na boca do estômago, até que seus olhos azuis se travaram em sua própria imagem. Era apenas uma criança, mas o sorriso não havia mudado em nada. Os fios loiro-platinados realçavam a pele muito clara daquela criança que acenava no meio de um grande jardim. - Oh.. Foi o que expressou, enquanto ela esticava o braço para tocar o invisível.  


ㅤㅤ ㅤAquele era o jardim em que estavam homem e mulher mais cedo. Aquele mesmo lugar onde sentava a pequena Meinhartt, acenando para alguém que se aproximava.


ㅤㅤ ㅤA loira assistiu como se fosse um pequeno filme, sua versão mirim se levantou e pulou no colo de um menino muito mais alto que ela, em um abraço apertado. Como olhos se fechando a imagem sumiu, dando imagem a outra. (...) Aquela menina loira havia crescido um pouco, estava no meio de uma clareira, jogada sobre os joelhos e aos prantos. A imagem era vista de cima, mas mesmo com a distância podia-se sentir a dor daquela pequena passagem que logo sumiu. (...) Agora, assistindo à memória de alguém em primeira pessoa, ela via uma sala grande e iluminada, com carteiras e vários alunos. Era uma sala de aula diferente de todas aquelas que já havia conhecido. Tinham objetos estranhos pendurados nas paredes, animais mortos em potes, e alunos com chapéus de ponta sentados ansiosos. Um homem entrou, alto, elegante, vestido com uma capa verde-esmeralda. Trazia consigo um rato gordo, preso entre os dedos. Pelo que pareceu, a atenção do aluno se perdeu ao ver o animal sujo ser exibido à frente da sala, e voltou-se à página de pergaminho que segurava com os dedos grandes. Demorou até que a mulher conseguisse entender, mas seu nome estava escrito no canto da página. Cuidadosamente ele repassava tinta sobre as letras. Até que uma batida na porta calou o professor e fez com que ele levantasse os olhos. Ali estava a pequena aluna, com as bochechas vermelhas e o jeito ofegante. Os cabelos bagunçados davam a impressão de que ela estivera correndo por bastante tempo. – Desculpe interromper professor Gilderoy, mas.. Ele pareceu entender, porque depositou o rato na mesa da aluna sentada na primeira carteira, que soltou um pequeno gritinho e pulou de seu assento tampando a visão que o aluno tinha da loira. O à época diretor da escola seguiu a loira para fora da sala, deixando para trás alunos curiosos que se amontoavam para guardar seus materiais e deixar a sala. (...) Estavam agora na festa de natal, eram poucos os alunos que restavam na escola, e a mais animada parecia a pequena Meinhartt. Ela já apresentava traços de moça, enquanto caminhava radiante pelo salão. Os olhares pareciam estar voltados à ela, que tinha os cabelos presos em uma trança frouxa e caída sobre o ombro. Seus passos se desviaram assim que seus olhos se encontraram com os de Gabriel Catena. Passou a caminhar, tornando-se maior e mais nítida a cada passo. – Biel! Havia excitação e tristeza na voz da aluna, que se jogou contra ele em um abraço apertado. A imagem sumiu, mas ainda podia-se ouvir a respiração dos dois. – Eu não acredito que você vai se formar e me deixar aqui. Ainda falta um longo ano para eu poder deixar a escola e poder finalmente..! Ela repetia, mesmo sabendo que não era novidade. Àquela época, Ditte, com 17 anos, estava começando um romance com Lawliet, de quem se tornaria noiva um ano mais tarde. E se mostrava ansiosa para poder viver o seu romance sem medo de fofocas e rumores. Aquela lembrança, propositalmente distorcida, ocultou qualquer menção a ele deixando a frase solta no ar, e quando novamente a imagem ficou nítida, a menina olhava o garoto de um jeito apaixonante. – Eu te amo Biel! Era verdade. Ele era um dos melhores amigos de Ditte Meinhartt na escola, e o amor que ela sentia por ele era maior do que ele podia imaginar. Com um sorriso ela deu as costas e saiu pelo salão. A porta se fechou (...) e lá estavam eles, de mãos dadas nos jardins, sentados, rindo. Foi como se voltasse no tempo, pois Ditte estava mais uma vez muito nova. (...) Ditte na grande cozinha de uma casa moderna, abrindo a geladeira e tirando uma garrafa de vinho. – O que você acha desse?! (...) Ele se aproximou e beijou os lábios da menina, que não soube como reagir. Os dedos se entrelaçaram. (...) Uma noite chuvosa e escura, Ditte estava conversando com Thomas Catena no corredor do castelo, e a passos velozes Gabriel se aproximava pelo corredor. O rosto de Ditte se iluminou com a chegada do garoto. – Oi anjo! .


ㅤㅤ ㅤO quarto pareceu mais escuro quando aqueles pequenos filmes pararam de passar. E Ditte Meinhartt estava parada, boquiaberta, olhando para a parede oposta da cama. - Eu não me lembro de nada disso! Eu não.. Uma dor a consumiu. Na cabeça, no peito, nos olhos. Sem que pudesse conter lágrimas quentes brotaram dos orbes azuis. Ela estava confusa, inebriada, e, sem que percebesse, cheia de novas memórias. Rostos conhecidos começaram a surgir em sua mente, junto com sentimentos de carinho e ódio. Sem nomes, sem histórias. Apenas rostos.


ㅤㅤ ㅤCom o corpo tombado para frente, e o rosto enterrado nas mãos, a mulher não falou mais nada. Não sabia o que falar, ou pensar, ou fazer, ou sentir. Estava em choque.



D. Meinhartt

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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeDom Jan 12, 2014 8:47 am

Gabriel sentia melancólico tudo que estava acontecendo com a menina. Conseguia sentir, por estar tocando-a, seu pequeno corpo ceder a pequenos tremeliques devido a cada lembrança, cada fato, cada coisa que acontecia... O sentimento de culpa aumentava cada vez mais em si, e ele ficava sentia-se cada vez mais triste.

Com passos lentos, com medo de afugentar a pequena, sentou-se atrás dela e fez com que ela relaxasse em seu peito. O peso de tudo aquilo que havia feito, temia ele que, agora, fosse demais. Gabriel confiava na maneira como a cabeça da pequena reagiria à verdade – à luz da história, sabia que a mente dela não era fraca, mesmo estando em frangalhos – e só tinha tomado tal atitude por confiar na capacidade dela.

Pousou suas mãos sob ambos os braços e abraçou-a por trás. Com cuidado, com medo de quebrá-la; de súbito, viu Ditte como uma peça de vidro, frágil e sensível, e queria tê-la consigo; queria fazê-la sentir que não estava sozinha; queria tirá-la do torpor.

– Agora você vê? Existe outra... Você, só que ela está aqui... – Disse tocando com a ponta do dedo sua testa delicada e, descendo lentamente pela sua cabeça, parou-o no peito, no coração. – e aqui. Sabe de outra coisa que você não vê? Isso aqui...

Com uma de suas mãos – sem deixar de tocá-la –, Gabriel levou novamente sua varinha até a cabeça e outro fragmento de memória removeu de lá. Este, dele também, fora obtido graças às vantagens de ser Ministro: ao revirar os registros dos funcionários ministeriais, encontrou um farto registro mágico da então tratadora de criaturas mágicas e trevosas Ditte e de seus feitos. À época, Gabriel tateou os registros, em um tempo que, mesmo não tão distante assim, agora parecia uma eternidade, e pôde então chorar baixinho de saudades daquela que ele sentia tanta falta.

Pensando rápido, sorriu por saber que, agora, a tinha consigo e bem ali, em seus braços. Nunca mais queria perdê-la novamente. E isso inclui perdê-la para ela mesma. Essa realização o encheu de uma determinação voraz. Recuperaria a plena capacidade mental de Ditte Meinhartt... Nem que isso custasse a dele mesmo.

Maldito Lawliet... Três vezes maldito Lawliet... Então é isso, não é? Você sabia, não é? Para isso... Por isso... Por ela... Me ensinou aquilo...

----

Sem dizer mais nenhuma palavra, fez a salinha jorrar com lembranças e recordações de seus anos fazendo o que mais gostava: os anos de trabalho de Ditte estavam todos ali, na penseira e flutuando na frente dela. Todos os seus feitos, pequenos e grandes, em anos de serviço ao ministério.


Última edição por Gabriel Catena em Dom Jan 12, 2014 10:22 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeDom Jan 12, 2014 10:09 am



ㅤㅤ ㅤA sabedoria do Ministro não podia ser subestimada. Ele sempre soube que a mente da menina era forte o suficiente para suportar tudo aquilo.


ㅤㅤ ㅤCom o passar dos anos as rachaduras causadas na memória e mente da mulher foram se tornando mais largas e fundas. Ela surtou pouco antes dos seus trinta anos, e viveu cerca de sete anos em completa escuridão e isolamento. Foram traumas atrás de traumas, mas que poderiam ser suportados se, aos seus dezoito anos, não tivesse sofrido com um feitiço lançado por aquele mesmo homem que a acolhia. Ah, se ela soubesse..


ㅤㅤ ㅤO Ministro a abraçou por trás, e ela deixou que aqueles braços fortes a acolhessem. Já não temia mais que ele lhe fizesse algum mal. Já não temia mais nada, exceto o que poderia descobrir sobre o seu passado.


ㅤㅤ ㅤO toque que perpassou seu rosto até o seu peito a fez estremecer. Ela entendia. Entendia as dores, as perdas de memória, o grande vazio em sua cabeça. Mas e agora? Ela queria descobrir mais, entender mais, unir suas experiências do passado às que teve naquela pequena vila. Nauseada a mulher voltou a se afastar do homem, olhando-o por cima do ombro. - O que eu vou fazer agora?! Sua voz saiu rouca e em um tom baixo. Sua beleza havia se esvaído, deixando um rosto pálido e assustado, com lábios sem cor.


ㅤㅤ ㅤCom um novo feitiço o homem lançou ao ar lembranças do tempo que havia trabalhado no Ministérios. Haviam documentos, fragmentos de jornal com fotos suas se movendo, reconhecimentos discorridos em longas cartas em pergaminho amarelado. - Por Merlim! A expressão saiu naturalmente, sem pensar. Seus olhos azuis fixos naquelas imagens que mostravam os poucos anos que havia dedicado o seu trabalho ao Ministério, até resolver largar o emprego e viajar pelo mundo sozinha e finalmente sumir. Ele tinha um longo trabalho pela frente, e, por enquanto, o que ela queria era apenas descansar.





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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeDom Jan 12, 2014 10:44 am

Gabriel sentia seu peito se despedaçar. Era insuportável observá-la assim, senti-la assim... Tê-la assim. Desse modo, dessa forma... Tão forte e tão frágil... Ele iria pagar. Ele iria sofrer. Muito. Não era tolerável tudo aquilo. Não era RACIONAL tudo aquilo.

O Ministro relaxou do leve toque que exercia sobre Ditte e, sutilmente, beijou de leve o pescoço da menina. Com delicadeza, deitou-a em seu leito e aninhou-a em si. Por mais que soubesse que a mente dela fosse forte como rocha, Gabriel não era ingênuo a ponto de submetê-la a mais e mais seções daquele tratamento nada usual.

- O que você precisa fazer, meu amor? É isso que queres saber? Ora... Nada... Deixe comigo. Deixe tudo comigo...

Com carinho, começou a acariciá-la e tentava acalmar, com paz, aquela mente turbulenta. Gabriel não iria mais fazer nada com ela; temia que fosse demais e, nunca, jamais, arriscaria colocar sua Rosa em risco.

Suspirou e fechou seus olhos cegos. Com ela em seus braços, era feliz. Aquele mundo mágico, tão devastador e implacável, só os fazia feito mal. Sentiu-se inspirado e resolveu que de magia, já estava farto; ao menos, naquele momento. Baixinho, com ela em seu colo e ofertando-a carinhos na cabeça, pôs-se a recitar versos que vinham em sua mente.

“ Eu tive dúvidas, minha rosa
Medo também, e frustração
E rancor e raiva, também.

Por evitar, por exitar
Por não ter você, aqui...
... comigo.

Separar... e não juntar,
estigmas de um passado
que me perseguiram por muito,
muito tempo.

Essa melancolia chorosa
que acomete e acontece em
trechos do meu amor escrito
mas. nunca. ditto.

Presente não estou e temo
... temo não estar. Nunca.

Mas talvez o nunca seja apenas
passageiro da viagem...
... a que nunca fizemos;
do sorriso que demos;
do choro compartilhado...
... que não aconteceu.
Do beijo, sempre em pensamento.

Fazer você sentir
com meu calor
um pouco do amor
que não sei dizer,
minha rosa.”

- Você vai ficar melhor, minha Rosa. Você vai ficar melhor...



[OFF]: Clique abaixo para ver as músicas que inspiraram (e que geralmente sempre inspiram!) esse jogo - e também o poema!
Music 1: A.M - 505 (https://www.youtube.com/watch?v=ifZfUVp2chE)
Music 2: Aerosmith - I Don't Wanna Miss a Thing  Wink (https://www.youtube.com/watch?v=Ss0kFNUP4P4)
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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeTer Jan 14, 2014 7:00 am



ㅤㅤ ㅤTalvez o Ministro estivesse extrapolando, ainda que ela agora reconhecesse que tinha um passado com ele, continuava sem se lembrar de quase nada, e toda aquela intimidade ultrapassava o limite do normal.

ㅤㅤ ㅤA pequena não se preocupou em se soltar ou, ainda, em tentar se afastar. A verdade é que ela estava completamente cansada para qualquer discussão. Deixou-se recostar e fechou os olhos, de forma a, quase imediatamente, dormir. O poema recitado e as palavras do homem entravam por seus ouvidos, com tamanha intensidade que ficaram gravadas em seu subconsciente enquanto dormia. Jamais seriam esquecidas.  


(...) passaram-se algumas horas.




ㅤㅤ ㅤA mulher se mexeu na cama. O corpo dolorido pela posição em que haviam dormido. Levantou-se com naturalidade, tentando se lembrar da noite anterior, enquanto a palavra rosa voltava insistentemente à sua memória.

ㅤㅤ ㅤDitte Meinhartt viu Gabriel Catena deitado à seu lado, parecia também ter adormecido. - Bom dia anjo! Havia naturalidade em suas palavras, enquanto esticava os braços em um espreguiçar longo. Precisava  organizar seus pensamentos.



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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeTer Jan 14, 2014 9:28 am

Gabriel de fato adormecera sem que percebesse. Quando deu por si, estava despertando pelo leve som da voz de Ditte. Parecia que o efeito de todo sua engenharia mental estava dando certo: a menina demonstrava cada vez mais sinais de recuperação. Sorriu feliz, genuinamente feliz e, ao ser cumprimentado, beijou de leve a testa da pequena.

- Bom dia, querida. Como está se sentindo? A cabeça ainda dói?

Disse o ministro, pondo-se de pé. Uma leve chama de preocupação passava pela mente do Catena... “Como será que está tudo lá fora? Enfim, não importa. Nada importa.”, que fez força para que sua companhia não percebesse. Achou que tinha sido bem sucedido, pois ela não expressara nada, tanto quando pôde perceber com seus olhos cegos.

- Vamos sair um pouco desse local, que tal? Nessa sala, existem banheiros em ambos os lados. Vá se banhar que providenciarei uma muda de roupa para você.

Um momento de relaxamento e descanso os era bastante merecido, pensava ele. Nesta noite, sabia Gabriel, que trataria da pequena Meinhartt e iria reparar o que havia feito com que ela estivesse nesse estado. “A maldição daquele maldito terá um propósito justo, enfim.”, perdeu-se em pensamentos.

Percebeu, após um momento, que seus pensamentos custaram-lhe alguns minutos e que um silêncio esquisito havia tomado o local. Tentando disfarçar o desconforto devido a peça pregada pela sua mente, concluiu.

- Hmm... Já sei onde devemos ir. Tenho certeza que você vai adorar.
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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeQua Jan 15, 2014 8:40 am



ㅤㅤ ㅤA verdade é que Ditte Meinhartt não sabia exatamente como estava se sentindo naquele momento. Estava confusa, mas convicta de que havia mais coisas escondidas em sua própria mente do que poderia acreditar. O objetivo, agora, era descobrir todas elas. Ainda que viesse a se arrepender depois.

ㅤㅤ ㅤEla mexeu nos cabelos cheios de nós enquanto assentia com a cabeça. Queria dizer que estava tudo bem, como manda a praxe, mas seria mentira. Os olhos azuis pousaram sobre a face do homem, era notável a ruga de preocupação em sua testa, mas ela preferiu não comentar. Levantou-se, pelo outro lado da cama, sentindo as pernas extremamente fracas.  - Estou com fome! Disse de uma vez, encarando-o. Tinha alguma coisa errada com ele, mas não conseguia perceber o que era.. Não ainda.

ㅤㅤ ㅤA loira voltou a balançar positivamente a cabeça quando da proposta do banho, e após observá-lo naquele silêncio constrangedor, anuiu. - Ok! Em poucos minutos estarei pronta para partirmos!  

ㅤㅤ ㅤEla não esperou nenhuma resposta. Sequer esperou que ele lhe trouxesse vestes limpas. Seguiu na direção outrora apontada pelo ministro e entrou no banheiro do hospital. Era grande, limpo e claro. O chuveiro tinha pelo menos mais dois pares de torneiras que o normal, mas ela não pareceu curiosa. Despiu as vestes que outrora usava e deixou-as sobre a bancada da pia. As toalhas estavam embaladas no outro canto. Ela rompeu o lacre e deixou-a sobre um pequeno banquinho próximo ao chuveiro, provavelmente ali para o caso de pacientes precisarem de acompanhantes enquanto se banhavam. - Hm! Deixou escapar quando abriu uma das torneiras e uma água morna caiu-lhe sobre o braço esticado. Era como se aquela água fosse capaz de lavar toda a sensação ruim e de desconforto que sentia. Por um momento estava livre de qualquer preocupação.

ㅤㅤ ㅤLavou os cabelos, desfez os nós com os dedos, ensaboou-se, e, alguns minutos mais tarde, já estava enrolada na toalha, com os cabelos molhados e a pele pálida completamente úmida. Sem se envergonhar, deixou o banheiro em busca do Ministro, mas o homem não estava ali. Tudo que encontrou foram vestes limpas sobre a cama. Com um sorriso torto no canto dos lábios a mulher agarrou as peças e voltou para o banheiro.

ㅤㅤ ㅤEle realmente conhecia o seu gosto, pois estava de frente a um vestido de tecido leve, bege e a não muito acima dos joelhos. Vestiu-se, jogando o sobretudo de cor mais escura nos ombros e arrumando os cabelos molhados com a ponta dos dedos. Já vestida, deixou a toalha junto com as roupas sujas e saiu do banheiro. Não sabia onde estava Gabriel, mas não se importava por esperar. Portanto, sentou-se.


D. Meinhartt

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MensagemAssunto: Re: Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc.   Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. I_icon_minitimeQua Jan 15, 2014 10:36 am

Vendo que sua eterna menina partira para o banho, Gabriel tratou de providenciar roupas para ambos. Pensou no vestimento adequado para o local onde gostaria de levar a pequena e, com um aceno de varinha, "Accio Vestimentas!", soube que o traje correto para o tipo de clima que enfrentariam estava à caminho. Apertou um botãozinho que estava localizado próximo da janala e o elfo responsável pela limpeza do quarto apareceu, assustando o ministro pela sua chegada repentina.

- Que susto, elfo, meu rapaz! Por favor, providencie que as roupas que chegarão através daquela janela. As da senhorita, por favor, com cuidado extra.

Aqueles elfos eram bem alimentados e bem tratados. Não eram escravos e cobravam pelos seus serviços. Aquele em especial tinha um ar travesso que fez o ministro sorrir, por isso deu uma moeda de ouro como pagamento ao baixinho.

Dando as costas ao pequenino, entrou no banheiro e viu que o banho estava inteiramente providenciado. Toalhas limpas esperavam por ele. Pensou que o elfo havia visto ambos dormindo e tratou de providenciar um banho no dia seguinte. "Um moeda justa, afinal." Temendo fazer Ditte esperar, entrou no largo box e tomou um reconfortante banho quente. Tinha as costas doendo devido ao sono que passaram juntos e aproveitou para se alongar, sentindo os músculos das costas esticarem e relaxarem na medida que o rápido exercício fora feito.

Findado o banho, perfumou-se com um aroma amadeirado e arrumou o cabelo. Percebeu que o elfo havia trazido até o banheiro o vestuário que seu accio havia trazido, por isso não teve necessidade de sair de lá.

Trajando um blazer cor de marfim com uma camisa também clara por baixo, Catena saiu do banheiro e expressou um suspiro de admiração. Não podia ver, mas algo no ambiente o dizia que a bela estava magnifica em seu vestido leve. Como fruto do encantamento feito por Lawliet em seus olhos, Gabriel percebeu, enfim, uma vantagem: como via somente contornos das pessoas, e estes iluminados por sua magia, podia ver com clareza as belas curvas da pequena sob aquele vestido. Com um pensamento malicioso, sorriu e andou até ela estendendo sua mão.


Quarto andar - Danos por magia: Azarações problemáticas, feitiços, aplicação incorreta de encantos, etc. CliveowenAP250906_228x334


- Venha, Ditte, minha querida. Vamos sair daqui.

Observou ela, vacilante, o tocar e desaparataram dali.
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